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Pesquisa: Literatura Brasileira de Expressão Alemã

Pesquisa: Literatura Brasileira de Expressão Alemã > Anna Brockes (1852-1940)

Grupo RELLIBRA - "Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Países de língua alemã" | www.rellibra.com.br
Credenciado na USP e no CNPq
Coordenação Geral: Profa. Dra. Celeste Ribeiro de Sousa

 

ANNA BROCKES (1852-1940): vida e obra

Autoria: Celeste Ribeiro de Sousa, 2012

ISBN (2014): 978-85-64168-07-7

Direitos autorais: em domínio público

 


Dados biobibliográficos

 

Johanna (Anna) Friederike Karoline Brockes, nascida Müller, segundo informações de seu bisneto – Harlan Brockes Tayer – nasceu a 6 ou 5/3/1852, em Loitz, na ex-Alemanha Oriental.

Partiu de Hamburgo no dia 19 de maio de 1852, rumo ao Brasil, acompanhando seu pai, o biólogo Fritz Müller (Johann Friedrich Theodor Müller), sua mãe, Karoline Töllner, e um tio – o irmão caçula do pai, August, com sua esposa. Aportou a Santa Catarina, mais precisamente a São Francisco do Sul, em 19 de julho, e à colônia fundada pelo Dr. Blumenau em 22 de agosto.

Esta família emigrante viajou com o chamado “Grupo dos 48” – die Achtundvierziger - no veleiro “Florentin”. Fritz Müller decidiu emigrar após o fracasso da Revolução de 1848, dadas as difíceis condições econômicas e políticas que se seguiram. Escolheu o Brasil como país hospedeiro, por causa da riqueza de sua fauna e flora. No Brasil, no entanto, sendo luterano e não contratado por/para nenhuma colônia, conheceu a segregação. Precisou trabalhar como professor (de que não gostava) e como camponês para sustentar a família numerosa. Fritz Müller chegou ao Brasil com 30 anos, já doutorado, senhor de uma sólida formação acadêmica. Era chamado por Darwin de “o príncipe dos observadores”. Com ele manteve uma longa correspondência de 60 cartas, datadas de 1865 até 1882, ano da morte de Darwin. Também Ernst Haeckel o designava por “o herói da ciência” e dele disse Edgar Roquette-Pinto: “é um homem raro, que dedicou sua vida ao conhecimento”. Com o texto Für Darwin, publicado em Leipzig em 1864, Fritz Müller tornou-se o primeiro naturalista a dar apoio científico à teoria sobre a evolução das espécies, de Charles Darwin.  Escreveu cerca de 260 artigos científicos sobre botânica, zoologia dos invertebrados, sobre ecologia, arqueologia, antropologia social, história da colonização alemã em Santa Catarina. É até hoje o mais importante estudioso da Mata Atlântica brasileira. Em 1868, recebeu o título Dr. Honoris Causa da Universidade de Bonn e, em 1874, o mesmo título da Universidade de Tübingen.

Fritz Müller e Karoline Töllner tiveram nove filhas e um filho. Segundo Carlos Fouquet, a filha mais velha - Luise -, faleceu em 1852, aos três anos, provavelmente antes da emigração, e o filho faleceu com apenas um dia de vida, em 7/10/1862.

Johanna (Anna) Friederike Karoline Müller era a segunda mais velha. Junto com suas seis irmãs (Martha também morreu antes de completar um ano, em 30/11/1865), Anna Müller (Brockes) foi cuidadosamente educada pelo pai, que costumava criar e ilustrar poemas infantis sobre motivos da fauna e da flora do Brasil (gambás, formigas, gaivotas, tartarugas, pacas, orquídeas) para motivar o aprendizado das meninas. Certamente, os interesses e os trabalhos de Fritz Müller devem ter pesado na escolha dos temas das próprias criações literárias de Anna e no seu amor por orquídeas[1]. Como o pai, Anna também se naturalizou brasileira.

Anna Müller (Brockes) casou com August Heinrich Brockes em novembro de 1879, em Blumenau. O casal teve 2 filhos: Freimund e Helmuth. Segundo relato de seu bisneto, Harlan Brockes Tayer, Anna era uma mulher sofisticada, culta, empreendedora, que chegou a ter uma próspera fábrica de chapéus femininos na cidade, e seus filhos foram mandados estudar na Europa.

Helmuth nunca chegou a diplomar-se, mas Freimund estudou química na Alemanha e formou-se em geologia na Inglaterra[2]. Ao terminar o curso de geologia na Inglaterra e ao voltar para o Brasil, durante a escala do navio no Rio de Janeiro, Freimund visitou um museu, onde havia exposta uma amostra de mica, com a identificação: São José do Tocantins. Foi este “encontro”, ainda segundo Harlan Brockes Tayer, que motivou sua mudança de Blumenau para o Centro-Oeste. E, de fato, Freimund viveu em várias cidades de Goiás, prospectando ouro, rutilo e/ou criando gado. Consta que descobriu uma das maiores jazidas de níquel laterítico do mundo, localizada no hoje município de Niquelândia – GO. Foi também Freimund quem convenceu o irmão Helmuth e a mãe, já viúva de August, falecido em 1884, a se mudarem para Goiás, o que realmente aconteceu em 1907. Os dois irmãos adquiriram algumas fazendas (São Sebastião de Lavrinhas, Fazenda Crixás, Fazenda Rio Vermelho) e Anna fixou residência em Pirinópolis. Foi aqui que faleceu em 1940.

De Anna Brockes conhecem-se as seguintes narrativas até agora inéditas, surgidas em 1920, segundo informação de seu filho, Helmuth Brockes, ao Instituto Martius-Staden:



[1] Agradeço ao bisneto da autora – Harlan Brockes Tayer – as fotos e algumas das informações. 

[2] As informações oferecidas por Harlan Brockes Tayer, bisneto da autora, não coincidem com aquelas registradas por Carlos Fouquet em O ramo brasileiro da família do dr. Fritz Müller “sábio decifrador da natureza do Brasil”. São Paulo, Instituto Genealógico Brasileiro, 1947. Também há discrepâncias com as informações contidas no e-book sobre Fritz Müller.


 


 

Narrativas:

O bem paga-se com bem? Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Der Blinde und der Lahme (O cego e o coxo). Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Cabe ou não cabe? Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Die beiden Blinden (Os dois cegos). Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Termiten und Klapperschlange (Os cupins e a cascavel). Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Wie Tio João ein Zauberer wurde (Como o Tio João virou feiticeiro). Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

Gevatter Teufel (Padrinho diabo). Texto datilografado, encontrado no Arquivo do Instituto Martius-Staden. Deutsch Português

 

 

Resumos comentados: clique aqui

 

 

Bibliografia crítica:

Fouquet, C. O ramo brasileiro da família do dr. Fritz Müller “sábio decifrador da natureza do Brasil”. São Paulo, Instituto Genealógico Brasileiro, 1947.