WORKSHOP: Monumento Mínimo
Com a artista plástica Néle Azevedo
Convidados: Professores da Unidade III, Ensino Fundamental e Médio Gratuito, dia __ às 19h, Instituto Martius-Staden
- Uma lógica contemporânea de intervenção nos espaços urbanos
- Memória-Monumento, escrita da história oficial
- Escultura e espaço urbano
- A escala mínima no aberto da cidade
- Aspectos práticos sobre a realização da intervenção/perfomance
- Algumas respostas do público

Maiores Informações:
www.martiusstaden.org.br
Vivian Correa, vcorrea@martiusstaden.org.br, 3744-1070
É necessário confirmar interesse previamente.
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NÉLE AZEVEDO – MONUMENTO MÍNIMO
Por Verena Rose
Pánta chorei kaì oudèn ménei.
Tudo flui e nada permanece, existe apenas um eterno tornar-se e um
caminhar sem rumo.
Paris, Tóquio, Havana são apenas algumas estações, nas quais a intervenção de Néle Azevedo já pôde ser vista. A relação entre arte e vida, a ligação íntima do público com o ato artístico, a singularidade de determinado feito, tudo isso se conecta com a intervenção.
Na Alemanha, o ato foi realizado em uma praça medieval na cidade de Braunschweig. Aqui se ergue, em altos pedestais, o Leão de Bronze, a mais antiga escultura situada ao norte dos Alpes. Um monumento para a eternidade. À sua frente, a artista dispõe cerca de oitocentas figuras de gelo. Feitas em formas de 20 centímetros, as frágeis criaturas são retiradas, a um sinal da artista, de geladeiras portáteis pelo público e colocadas ali nos degraus da praça. Tudo precisa ser feito bem rápido, pois tão logo tudo esteja posto, inicia-se um acontecimento singular, o contrário do ato de criação do artista. O acontecimento concretiza-se pelo próprio derretimento das figuras. As figuras, que servem como alegorias às pessoas comuns, dissolvem-se e inserem-se precisamente no sentido da pós-modernidade, em que se registra a identidade humana extremamente mutável; no entanto, ao mesmo tempo, festeja-se a beleza do instante em que a intervenção acontece.
Nem trinta minutos passam até que as figuras se tornam água. Nas sombras do Leão de Bronze, pode-se entender o porquê de se refletir sobre uma modificação kopérnica na estética quando se pensam na modernidade. A artista despede-se aqui de uma tradição que gira em torno de uma reprodução pré-concebida do mundo. O ato artístico não se firma mais a serviço da representação, de trazer novamente à tona o que é visível, e sim mostrar o desaparecimento do que não é mais possível se trazer de volta.
Ao lado dessa dimensão filosófica, o trabalho de Néle Azevedo também possui uma faceta social e ecológica. Nosso planeta sofre constante aquecimento e o Monumento Mínimo mostra, de maneira urgente, quais as conseqüências que podemos ter desse aquecimento.
Verena Rose vive e trabalha em Braunschweig e São Paulo. É mestre em História da Arte e Letras Alemãs na Universidade de Braunschweig, com dissertação defendida sobre o tema O Navio dos Imigrantes de Lasar Segall. |